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14 de Dezembro de 2017

A equidade e o direito positivo (ao “Adote um bandido”)

Marcus Siviero, Representante Comercial
Publicado por Marcus Siviero
há 4 anos

Segundo o Houaiss temos que:

Equidade – respeito à igualdade de direito de cada um, que independe da lei positiva, mas de um sentimento do que se considera justo, tendo em vista as causas e as intenções.

Palavras que ressoam no pensamento dos injustiçados desde Luther King:

“Não são os brados dos injustos que me assustam, mas sim o silêncio dos justos” (alguns autores dizem “vítimas”).

Uma repórter ousou quebrar o silêncio e vem sendo sistematicamente “linchada” pelos que se consideram porta-vozes da Lei e do Direito.

Aos olhos pragmáticos de um Estado forte e de direito esta Senhora errou muito, não por externar seus medos e revolta, porém por afrontar aqueles que saboreiam o caldo espesso e suculento do sangue que produz lucro.

É claro fica elegante citar neste momento uma fila interminável de pensadores que pregaram teses e evidências sociais não praticadas pela Humanidade desde sua presença sobre os “dois pés” na Terra.

Dizia Aristóteles, o estargirita (oriundo de Estargiro, Samos) discípulo de Platão, que “O homem é um animal político pois que detém o logos” (a faculdade de expor a razão, “falar”).

Ora, o que tem isso a ver com o fato afinal? Penso que nada ou tudo talvez, entretanto, eu pude mostrar aos senhores que gastam seu precioso tempo aqui que eu me relaciono bem com a filosofia.

Isso pode externar minhas vaidades e me fazer feliz, mas, de fato, nada acrescenta aos dias turbulentos e nefastos que vivemos no Brasil, é meramente fútil adentrar estas portas no presente momento.

É o mesmo que, por falsa modéstia, eu afirmar ser “ninguém” apenas porque sarcasticamente sei que “ninguém é perfeito”.

Por isso pergunto:

Por que os grandes pensadores manifestaram suas visões férteis em períodos até mais turbulentos que os atuais vividos no Brasil e nos presentes dias quase não se os “ouve”?

Deixaram de existir os “faróis” da Humanidade?

Essa pergunta requer uma resposta maiêutica (de Sócrates) impetuosa e agressiva, me perdoem os conterrâneos, mas vai doer.

Podem me acusar de pernóstico, o caso requer, todavia, afirmo não sê-lo!

Primeiro: O que é um Herói?

Alguém que considera valer a sua própria vida menos que a de seus “Irmãos”!

O “Herói” não é quem apresenta sintomas de “suicida clássico” buscando apenas um motivo justo ao seu modo de ver, até porque, poucas são as oportunidades em que um ato heróico cobra uma vida!

Eles somente surgem quando o momento também “surge”, tem que valer à pena qualquer sacrifício.

Então a segunda e “imunda” questão:

O que nós Brasileiros estamos fazendo para valer à pena à alguém com vocação para “Herói”?

“Herói” não é um ente especial ou transcendental que ascendeu ao patamar dos “deuses”, é apenas aquele ou aquela que viu no exato momento que seu sacrifício (de qualquer natureza) valia à pena.

Dói na alma, mas será que “valemos à pena”? O que qualquer um de nós vem fazendo para dizer que esse ato (impensado ou absurdamente bem planejado) foi inócuo, duvidoso, desdito e mesmo atrevido?

Se nós Brasileiros merecêssemos as citações poéticas dos grandes pensadores eles sequer seriam citados, não é assim mesmo..? “Os que crêem dispensam provas, aos céticos de que adiantam elas..?” (Agostinho)

Exempli gratia devemos nos ater ao singelo propósito do que explano.

Os atos de um (a) cidadão (ã) não podem ser medidos segundo ótica estática e circunscrita a parâmetros previamente definidos, é o momento, a oportunidade que definirão o certo e o errado, de fato, se tal entendimento não merecesse consideração, de que serviria a fantástica profusão de advogados no planeta?

As circunstâncias são as marés que nos impulsionam, a inércia para escolher o certo ou o errado pode nos afogar, a ação deve ter energia própria e retaguarda da experiência e tão somente.

Sentado em minha magnífica poltrona com o conforto da criança bem amamentada eu julgo os atos da Senhora Repórter repulsivos, todavia, sob ataque dos meliantes e sofrimento descabido vejo nela minha vontade, minha flâmula libertária.

É simplesmente absurdo o uso de dinamite (analogia ao poder da mídia) para abater o camundongo pestilento que me ameaça com doenças (um meliante), mas na ausência de outra arma e cercado por milhões deles (é exatamente o caso do Brasil) é plenamente válida, senão desculpável, qualquer ação desesperada.

Em verdade se nota, não a atitude oportuna dessa Senhora, porém; com que intenção a praticou!

Como profissional é óbvio que apenas o alvoroço produzido na mídia já lhe amealhou “louros” gratificantes e compensadores é, enfim, o que todo trabalhador ou empreendedor almeja, de outro norte, entretanto, foi manifestado o grito de uma população desfalecida pelo torpe e doentio controle sistemático do pútrido poder instituído.

Bem, aqui creio estar o sentido lógico do que preambulei extraindo do Houaiss:

— Respeito à igualdade de direito de cada um, que independe da lei positiva, mas de um sentimento do que se considera justo, tendo em vista as causas e as intenções...”, por que deveríamos exigir mais?

Um condenado e foragido ladrão (hoje, depois de condenado e foragido este, posso afirmar isso) “Henrique Pizzolato” é um típico exemplo do estado de putrefação da administração brasileira, tinha voz de vontade de um povo nas mãos sendo exercida no Banco do Brasil, ele fora atingido apenas pelo “preto 17” quando a “roleta girou”, sim..; porque quase a totalidade dos “números” nessa “roda” é perniciosa e contaminada e todos sabemos disso, "... não existe Inocentes nesse lugar...” (Ulisses Guimarães), contudo, o espaço na mídia para tal evento não passou de “chuvisco” no inverno rigoroso, nós precisamos do barulho para podermos esconder o mero ruído.

Mas, voltemos ao “Crime e Castigo” (Fiódor Dostoiévski), talvez deste eu devesse citar “O Idiota” (o brasileiro para o poder) para saber com que autoridade deveremos nos ater em condenar (sim, pois julgada essa Senhora já foi pelos defensores dos direitos humanos) alguém que manifesta repúdio à “apoplexia” da administração instituída.

Quantos de nós brasileiros lembram-se dos “crimes” cometidos por Martins, Miragaia, Dráusio, Camargo e Alvarenga, este último veio a sucumbir meses após o confronto (o MMDC – A), eles foram a própria inspiração de um movimento clandestino armado que oferecia treinamento de guerrilha aos paulistas voluntários (os Voluntários da Pátria).

Ora..! Não é um tanto paradoxal estes Inspiradores Jovens (será que eu tenho a permissão dos Senhores de dizer o termo “Musos” de “musa inspiradora”?) de uma sangrenta revolta popular, serem hoje o Centro Cultural de uma classe que ataca ferozmente o que se originou nela própria (11 de Agosto)?

Serei mais agressivo e ofensivo ainda, nos dias de hoje, sendo o brasileiro o que a todos está, de fato, parecendo que é, um inutilmente permissivo e passivo contumaz por inerte vontade de esperar o próximo fazer o seu dever para após criticá-lo apontando erros perdoáveis em uma batalha, escutar o adágio que perpetuou aqueles Jovens Senhores; “é doce e honrado morrer pela pátria”?

Antes de criticarem-me acusem-me de falar uma inverdade, digam a si mesmos “Eu valho à pena?”

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